21 outubro 2017

O pessimismo pode ser algo que herdamos de nossos antepassados?

           O pessimismo pode ser algo que herdamos de nossos antepassados?
                                                  
                                                   Pessimismo é hereditário?

Sim, pessimismo pode ser hereditário. Pesquisas mostram que herdamos dos nossos antepassados seus traumas, sendo possível observar isso até em alterações de enzimas no nosso mapa genético, como explico no vídeo a seguir. Já ouvimos alguém dizer, por exemplo: “Ele herdou o gênio do pai”, “É ranzinza igual a avó”, “É preguiçoso como o tio”, “É burro igual a mãe”, “É lerdo como a tia”, “É desajeitado igual ao pai”. Podemos acrescentar, portanto: “É pessimista igual a …” (Espero que não seja igual a você!).



Além disso, ainda somos seres que tendem a se condicionar aos comportamentos a nossa volta. Se convivermos com alguém pessimista, mesmo que não seja parente, teremos a tendência de repetir o mesmo padrão. O cérebro aprende copiando comportamentos e repetindo-os, até que eles fiquem automáticos. Não precisamos mais pensar para fazer, o que, de certa forma, economiza energia cerebral.

Você pode se perguntar: “É isso? Não tem solução? Terei de me contentar em ser como meus parentes?”. Tenho uma notícia otimista para lhe dar: Têm solução! Dentro de nós há uma dimensão que é livre e pode decidir novas coisas. Somos seres condicionáveis, mas não condicionados, portanto, podemos fazer novas escolhas. Em vez de sermos iguais nos pontos negativos de nossos parentes, podemos escolher os pontos positivos, seus dons (a arte, a dança, a perseverança, a alegria, a capacidade de amar).
Assista:

Nosso cérebro tem uma capacidade gigantesca de achar outros caminhos, outros atalhos. Afinal, somos livres, somos seres que têm, dentro de si, esperança e amor. É só acordar essa parte adormecida e ver o mundo, as pessoas, as coisas com o mesmo olhar de quem as criou.

Espero, imensamente, que nossos filhos sintam orgulho de dizerem que se parecem conosco, nos nossos pontos mais fortes e mais belos. Que sejamos aqueles que vão gerar a mais bela geração que está por vir, capaz de curar todas as feridas, todo o pessimismo.
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19 outubro 2017

Você sabia que a falta de perdão pode ser prejudicial à saúde?


Você sabia que a falta de perdão pode ser prejudicial à saúde?

                                         O perdão é essencial para uma vida mais leve

“…perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos tem ofendido…”


Fazemos essa oração todos os dias, mas será que a estamos praticando? Jesus nos deixou a receita para as doenças da alma, mas nós nem nos damos conta disso! O perdão é uma palavra tão conhecida, mas difícil de ser vivida na prática! Será que você sabe perdoar? Será que você consegue perdoar?



Acredito ser desnecessário falar sobre o que é o perdão; porém, falar sobre o que a falta dele é capaz de fazer seria melhor, apesar de ser comum também. No entanto, vale a pena. Perdão é uma ação, uma decisão, uma escolha, um verdadeiro remédio para a alma. Um sentimento provocado pelo relacionamento interpessoal, com o nome de mágoa, desgosto, amargura e ressentimento.

Relacionar-se é exigente! Exige um sair de si mesmo, constantemente, pois, quando entramos em conflito com o outro e até com nós mesmos, podemos sair da “discussão” feridos, traumatizados. Tais traumas podem produzir sentimentos desagradáveis, que ficam escondidos; e quando surgem, controlam o ser humano, tornando-o irritado, com raiva e amargo com a vida e com as pessoas que estão a sua volta.

Esses sentimentos têm poder de destruição. São capazes de desenvolver doenças psicossomáticas que nem imaginamos. Problemas cardíacos, úlcera, depressão, nódulos e até mesmo tumor. São doenças físicas, que podem ter como origem a dificuldade de perdoar. É como se a pessoa implodisse, ou seja, explodisse para dentro dela mesma, por não conseguir liberar o perdão.
Pedir e conceder o perdão

É tão interessante, que podemos falar da necessidade de pedir perdão e também da necessidade de dar perdão. Muitas vezes, temos dificuldade de receber o perdão. A pessoa se humilha, arrepende-se do que fez, pede perdão, mas o outro, tão preso em suas emoções, amarguras, feridas e mágoas, não consegue perdoar. Isso também é destrutivo, porque a questão está no conseguir superar o sentimento produzido. Se eu ferir o outro e conseguir fazer o movimento de pedir perdão, posso estar superando meus sentimentos nocivos. O mesmo acontece com aquele que consegue dar o perdão para aquele que lhe pede.

Quem nos destrói são os sentimentos de mágoa e ressentimento, não o ato de perdoar. E perdoar é o nosso remédio, é a via de libertação, pois a mágoa e o ressentimento são sentimentos tão nocivos, que possuem capacidade de destruição, paralisação e retrocesso. Façamos o seguinte caminho:

– Reconhecimento: olhar para seus sentimentos e reconhecer que se sente ferido, e isso tem paralisado, adoecido você;
– Decisão: diante da minha paralisação e adoecimento, decido sair desse lugar;
– Ação: ter a iniciativa de pedir ou receber o perdão.

Não há como viver essas três etapas ao mesmo tempo. No entanto, é preciso esforçar-se para vencer uma de cada vez, olhando para a situação atual e focando no lugar que deseja chegar, a libertação dos sentimentos que acorrentam e adoecem.
Por que é tão importante perdoar?

O perdão tem poder de libertação. Faz-nos sair de nós mesmos, do nosso orgulho, vaidade e autossuficiência; conduz-nos a um caminho que nos faz reconhecer que somos imperfeitos e humanos, mas que podemos sempre recomeçar. Você está disposto a pedir e dar perdão ou vai ficar cultivando sentimentos capazes de gerar a morte? A escolha sempre será nossa, pois perdoar é ter a capacidade de libertar-se do seu pior sentimento!
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17 outubro 2017

Quem não perdoa destrói pontes pelas quais terá de passar



  Quem não perdoa destrói pontes pelas quais terá de passar

                               “Deus perdoa as nossas transgressões” (Sl 65,3)


“Aquele que não é capaz de perdoar os outros destrói a ponte sobre a qual ele mesmo terá de passar”, escreveu Edward Herbert, célebre historiador britânico. Essas palavras destacam uma razão para ser perdoador: mais cedo ou mais tarde, podemos precisar que outros nos perdoem. (Mt 7,12). Mas há um motivo muito mais importante para ser perdoador, basta ler as palavras de São Paulo Apóstolo em Colossenses 3,13: “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós”.


Visto que somos todos imperfeitos, às vezes podemos irritar ou ofender os outros, e eles talvez nos façam o mesmo (Rm 3,23). Então, como podemos manter a paz? Inspirado por Deus, São Paulo nos aconselha a ser tolerantes e perdoadores. Esse conselho é tão importante e sempre atual.





Vamos analisar as palavras de São Paulo. “Continuai a suportar-vos uns aos outros”. A palavra grega para “continuar a suportar” dá a ideia de ser tolerante e paciente. Uma obra de referência diz que os cristãos mostram essa qualidade por “estar dispostos a suportar aqueles cujas falhas ou traços de personalidade são irritantes”. A expressão “uns aos outros” indica que essa tolerância deve ser mútua. Ou seja, quando lembramos que também podemos irritar outros, não permitimos que suas características irritantes perturbem a paz entre nós. Mas e se outros pecarem contra nós?


“Continuai a perdoar-vos uns aos outros liberalmente”. De acordo com vários especialistas, a palavra grega traduzida “perdoar liberalmente” não é a palavra que se costuma usar para traduzir perdão, mas tem um significado mais profundo, que enfatiza a natureza generosa do perdão. Outra fonte diz que essa palavra pode significar “conceder algo agradável, um favor, um benefício”. Somos generosos quando perdoamos de coração, mesmo quando há razão para queixa contra outro. Mas por que devemos estar dispostos a “conceder esse favor”? Pelo simples motivo de que logo, talvez, precisemos que o ofensor nos perdoe, retribuindo assim o favor.


“Assim como Deus vos perdoou liberalmente, vós também o fazei.” Esse é o principal motivo para ser generoso em perdoar os outros: o próprio Deus nos perdoa liberalmente. (Mq 7,18). Pense por um instante sobre o perdão, favor-graça que Deus concede a pecadores arrependidos. Ao contrário de nós, Deus não peca. Mas ele, de bom grado, perdoa completamente pecadores arrependidos, mesmo sem precisar que eles retribuam o favor por perdoá-lo. De fato, o Senhor bom Deus é o exemplo mais caridoso de alguém que perdoa liberalmente.


“Eu confio na misericórdia de Deus para sempre” (Sl 52,8). A misericórdia do nosso glorioso Pai Celestial nos atrai a ele e nos faz querer imitá-lo. (Ef 4,32. 5,1).


Um dos grandes mestres da espiritualidade cristã Charles de Foucauld afirmou: “Viver só para Deus. O amor é inseparável da imitação. Quem ama quer imitar: é o segredo da minha vida”.


Ele escreveu: “Perdoai-nos as nossas ofensas. Não podemos pedir perdão se não perdoamos também. O perdão, como a graça, não se pede somente para si, mas para todos os homens”. Foucauld acrescenta: “Essa deveria ser a finalidade de todas as nossas orações, de todas as nossas ações”.

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15 outubro 2017

As lições de São Mateus para todo aquele que busca conversão


As lições de São Mateus para todo aquele que busca conversão

                Mateus, o rico coletor, respondeu ao chamado do Mestre com entusiasmo

O apóstolo e evangelista São Mateus teve dois nomes: Mateus e Levi. Mateus quer dizer “dom precoce” ou “conselheiro”; ou vem de magnus, “grande”, e Theos, “Deus”, como se dissesse “grande para Deus”. Diz a “Legenda Aurea” que “Ele foi um dom precoce por sua rápida conversão, foi conselheiro por sua salutar pregação, foi grande diante de Deus pela perfeição de sua vida, foi a mão de que Deus se serviu para escrever Seu Evangelho”.



Levi quer dizer “retirado”. Ele foi retirado de sua banca de cobrador de impostos e colocado entre os apóstolos, acrescentado à comunidade dos evangelistas e incorporado ao catálogo dos mártires.
As lições de Mateus

Segundo uma tradição, Mateus pregava na Etiópia, em uma cidade chamada Nadaber, onde foi martirizado. São Mateus nos deixa grandes lições:

1 – A prontidão de sua obediência, pois, no instante em que Cristo o chamou, ele abandonou seu ofício de cobrador de impostos e, sem temer seus senhores, deixou tudo para juntar-se completamente a Cristo. São Jerônimo disse: “Se se atribui ao ímã a força de atrair metais, com muito mais razão o Senhor de todas as criaturas podia atrair para si aqueles que queria”.

2 – Sua generosidade ou liberalidade, pois logo serviu ao Salvador uma grande refeição em sua casa. Recebeu Cristo com grande afeto e amor; e ali Jesus deu grandes ensinamentos: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”, e “Não são os saudáveis que necessitam de médicos”.

3 – Sua humildade, que se manifestou em duas circunstâncias: confessou ser um publicano. Ele chama a si mesmo de Mateus e publicano, para mostrar que ninguém deve perder a esperança na sua salvação, pois ele próprio de publicano foi, de repente, feito apóstolo e evangelista. (cf. Mt 9,13; 12,7; Mc 2,7; Lc 5,21)

4 – A honra de seu Evangelho ser lido com mais frequência que os outros. De um homem ávido por riquezas e avarento, Cristo fez um apóstolo e um evangelista. Que ninguém se desespere pelo perdão se quiser se converter.
O Evangelho segundo Mateus

No ano 130, o Bispo Pápias, de Hierápolis, na Frígia, região da Ásia Menor, um dos primeiros a ser evangelizado pelos apóstolos, fala do Evangelho de São Mateus: “Mateus, por sua parte, pôs em ordem os dizeres na língua hebraica, e cada um depois os traduziu como pode” (Eusébio, História da Igreja III 39,16).

Quem escreveu essas palavras foi o bispo Eusébio, de Cesareia na Palestina, quando, por volta do ano 300, escreveu a primeira história da Igreja. Ele dá o testemunho histórico de Pápias. Note que Pápias nasceu no primeiro século, isto é, no tempo dos próprios Apóstolos;.São João ainda era vivo. Portanto, este testemunho é inequívoco.

Outro testemunho importante sobre o Evangelho de Mateus é dado por Santo Irineu (†200), do segundo século. Ele foi discípulo do grande bispo São Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de São João evangelista. São Irineu, na sua obra contra os hereges gnósticos, também fala do Evangelho de Mateus dizendo: “Mateus compôs o Evangelho para os hebreus na sua língua, enquanto Pedro e Paulo, em Roma, pregavam o Evangelho e fundavam a Igreja.” (Adv. Haereses II 1,1).

O Evangelho a ele atribuído nos fala mais amplamente que os outros três do uso certo do dinheiro:“Não ajunteis para vós tesouro na terra, onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus.” “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.”
Deixa o dinheiro para seguir o Mestre

Foi Judas, porém, e não Mateus quem teve o encargo de caixa da pequena comunidade apostólica. Mateus deixa o dinheiro para seguir o Mestre, enquanto Judas o trai por trinta moedas. Quando falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, os outros evangelistas, Marcos e Lucas, falam de Levi. Mateus, ao contrário, prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus, e usa o apelido de publicano, que soa como usuário ou avarento, “para demonstrar aos leitores – observa São Jerônimo – que ninguém deve desesperar da salvação, se houver uma conversão para uma vida melhor.”

Mateus, o rico coletor, respondeu ao chamado do Mestre com entusiasmo. No seu Evangelho, ele esconde humildemente este alegre particular, mas a informação foi divulgada por São Lucas: “Levi preparou ao Mestre uma grande festa na própria casa; uma numerosa multidão de publicanos e outra gente sentavam-se à mesa com eles.”

Depois, no silêncio e com discrição, livrou-se do dinheiro, fazendo o bem. É dele, de fato, que nos refere a admoestação do Mestre: “Quando deres uma esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará”.

O seu Evangelho é dirigido aos judeus, para mostrar-lhes que Jesus é o Messias esperado por Israel. É caracterizado por cinco grandes discursos de Jesus sobre o Reino de Deus. Foi escrito, com toda a certeza, antes da destruição de Jerusalém, acontecida no ano 70.

Uma tradição antiga recorda que Mateus sofreu o martírio, apedrejado, queimado e decapitado na Etiópia, de onde as relíquias do santo teriam sido transportadas, primeiro para Paestum, no Golfo de Salerno; e, no século X, para Salerno, onde até hoje são honradas.
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13 outubro 2017

As Aparições de Fátima



                          As Aparições de Fátima

A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.

Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma ‘Senhora mais brilhante que o sol’, de cujas mãos pendia um terço branco. A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Conselho, para Vila Nova de Ourém.   

                         
Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a ‘Senhora do Rosário’ e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.

Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13/14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, na parte já revelada do chamado ‘Segredo de Fátima’.

Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.

Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de quatro milhões.
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12 outubro 2017

Viva Nossa Senhora Aparecida



                      Viva Nossa Senhora Aparecida

                  Nossa Senhora Aparecida, padroeira e protetora do Brasil, rogai por nós



Ao celebrarmos a grande festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e do povo brasileiro, somos todos convidados a renovar a nossa devoção filial e confiante a Nossa Senhora. Maria é uma presença materna na vida da Igreja e de toda a humanidade. Por isso, nós a homenageamos com amor e gratidão.





Ao olharmos para Nossa Senhora, lembramos que ela aponta para Jesus e Ele mostra-nos Maria. Ela pediu e nos ensinou: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5). Jesus, do Alto da Cruz, antes de dar o suspiro final nos deu mais um grande presente: “Eis aí tua mãe” (Jo 19, 27). Nos Evangelhos, nas Celebrações e na história, sempre percebemos Jesus e Maria muito próximos. E esta proximidade nos impulsiona a adorarmos Jesus em espírito e verdade e a confiarmos na intercessão constante de Maria junto a Deus por todos nós.


Maria não tira Jesus do centro. Ela nos conduz ao Senhor e nos ensina como segui-Lo e como fazer a vontade do Pai. Ao a homenagearmos com vivas, cânticos, orações, palmas e flores, nós reconhecemos nela um modelo a ser imitado. Ela é modelo de solicitude, de disponibilidade e serviço. A Santíssima Virgem disse sim a Deus, acolhendo plenamente a Missão que Ele confiou a Ela. Por isso, Ela se tornou serva de Deus e dos irmãos.


As celebrações e festas marianas dão um “toque especial” na vida da Igreja e na nossa caminhada de cada dia. Onde se cultiva a devoção a Nossa Senhora, sempre existe vida, dinamismo e criatividade. Maria nos ensina a sairmos na direção ao irmão que precisa da nossa ajuda. Ela nos ensina a caminharmos pelas “regiões montanhosas” da vida com passos firmes e seguros (cf. Lc 1, 39-56).


Nossa Senhora Aparecida, rogai a Deus pela nossa Pátria, pela nossa gente! Intercedei junto a Jesus para que o povo d’Ele consiga dizer não aos falsos profetas e aos ídolos da modernidade. Nossa Senhora, rogai a Deus por nós, que recorremos a vós.

Hoje e sempre, digamos: Viva Nossa Senhora Aparecida!
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11 outubro 2017

O significado de cada parte da Ave-Maria



                O significado de cada parte da Ave-Maria

Cada parte da oração da Ave-Maria tem um significado baseado nas Sagradas Escrituras e na Tradição


A Ave-Maria é uma das orações mais queridas do povo católico. É a mais antiga oração que conhecemos dirigida a Nossa Senhora, nossa Mãe, Mãe de Jesus e da Igreja. Ela está na própria Bíblia, revelação de Deus.
“Ave, cheia de graça”


Na Anunciação, o Anjo a saudou: “Ave, cheia de graça”. Maria foi a única que achou graça diante de Deus, porque foi a única “concebida sem o pecado original”. Nas aparições a Santa Catarina Labouré, na França, em 1830, ela pediu que fosse cunhada o que ficou sendo chamada de “Medalha milagrosa”. Em letras de ouro, Catarina viu escrita a bela frase: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!”.




O Senhor é convosco


“O Senhor é convosco”, disse-lhe o Arcanjo Gabriel. Maria tem uma intimidade profunda com Deus. Diz o nosso Catecismo que “desde toda eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, ‘uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria’ (Lc 1,26-27)”. Ela é Filha do Pai, é a Mãe do Filho, e é a Esposa do Espírito Santo. Está em plena unidade com a Santíssima Trindade. Numa única mulher Deus tem Mãe, Filha e Esposa.
Bendita entre todas as mulheres


“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Foi assim que Santa Isabel saudou a Virgem, “em alta voz” e “cheia do Espírito Santo”. E o menino João Batista estremeceu em seu seio. Isabel deixou claro por que Maria é “bendita entre todas as mulheres”: “Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?” (v.43). E Isabel completa: “Bem-aventurada és tu que creste…” (v.44).


O bendito fruto do seu ventre é o próprio Deus, Filho de Deus, encarnado em seu seio virginal: Jesus. Ela é a Mãe de Deus. Quando o herege Nestório, patriarca de Constantinopla, quis negar essa verdade, o povo se revoltou, e o Concílio de Niceia, em 431, confirmou a maternidade divina de Maria: (Theotókos). “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48), por isso a piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão.


Depois de saudar a Virgem Maria, Mãe de Deus, com essas palavras que desceram do céu, a oração da Ave-Maria nos leva a implorar as graças do Senhor pela intercessão daquela a quem Deus nada pode negar.


Santa Maria, Mãe de Deus


O que não consegue a Mãe do Altíssimo? O que não pode conseguir, diante do trono da graça, aquela que é Sua Mãe, Esposa e Filha? O milagre das Bodas de Caná (João 2) diz tudo, mostra o grande poder intercessor da Mãe diante do Filho. Por isso, a Igreja sempre nos ensinou: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. O bom filho nada nega à sua mãe, por isso São Bernardo de Claraval, doutor da Igreja, a chamava de “Onipotência suplicante”. Consegue tudo, por graça, o que Deus pode por natureza.
Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte


E nós pecadores lhe imploramos: “Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”. Consegue do Rei os grandes benefícios aqueles que estão perto d’Ele, aqueles que têm intimidade com Ele. Quem mais do que Maria tem intimidade com Deus? Quantas pessoas me pedem para mediar um pedido junto ao fundador da Canção Nova, monsenhor Jonas Abib, porque sabem que tenho intimidade com ele! O mesmo acontece com Deus. Esse é o poder da intercessão.


A Mãe Santíssima diante do seu Filho roga por nós sem cessar. Disse o Concílio Vaticano II, que “assunta aos céus (…), por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.” (n.969).


“A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, baseia-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (n.970)


A nossa Mãe roga por nós a cada momento, mesmo que não tenhamos consciência disso; especialmente protege aqueles que lhe são consagrados fervorosamente. De modo especial, defende-nos na hora da morte. Quantas almas a Virgem Maria salva na hora da morte! Especialmente aqueles que lhe são consagrados. São Bernardo dizia que não é possível que se perca um bom filho de Maria. Por isso, pedimos insistentemente que ela rogue por nós, sobretudo na hora decisiva de nossa morte. Quando rezamos o Santo Rosário, a ela oferecemos rosas espirituais, que ela leva a Deus por nós. Ela não as retém para si, pois o rosário é a meditação de toda a vida de Jesus Cristo, nosso Senhor.
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09 outubro 2017

Entenda cada parte da oração do Pai-Nosso


              Entenda cada parte da oração do Pai-Nosso

              No coração da oração do Pai-Nosso, conhecemos sua origem e significado

O Pai-Nosso que nós rezamos encontra-se no Evangelho de Mateus (6,9-13). Essa versão, mais ampla em comparação à de Lucas (11,1-4), foi utilizada desde os primeiros séculos da Igreja na liturgia e na catequese.

O texto do Pai-Nosso aparece no centro do Sermão da Montanha (Mateus 5,7); constitui, pois, o coração e a síntese do discurso inaugural de Jesus.



Vamos considerá-lo procurando a origem de cada parte

“Pai”: é a tradução da palavra aramaica abbâ. O aramaico era a língua que os judeus falavam no tempo de Jesus. O significado real dessa palavra é “papai”. Trata-se, pois, da palavra que a criança usa quando chama o próprio pai. Jesus mostra, então, que nossa relação com Deus precisa partir da confiança, do amor, do carinho, da mesma forma que uma criança se dirige com tais atitudes ao próprio pai. E como em Deus não há sexo, poderíamos dizer que Deus, ao mesmo tempo, é “papai” e mamãe”.

Ao rezar o Pai-Nosso, ou melhor, o “Papai nosso”, com o coração totalmente confiante, nós começamos a nos “converter e a nos tornar crianças para poder entrar no Reino do Céu” (cf. Mateus 18,3).

“Papai nosso”. Não é somente “papai meu”. Numa língua africana (o kirundi, falada no Burundi), foi traduzido assim: “Pai de todos nós” (Dawe wa twese). Seria suficiente a vivência dessas duas palavras para o mundo inteiro viver na paz. Se Ele, pois, é Pai de todos nós, nós somos irmãos e o mundo vira uma família.

“Que estais no Céu”: a palavra “Céu” indica o Reino de Deus. Ao invocar o “Deus Papai”, expressamos a tensão para o Reino, quando poderemos vê-Lo “face a face” (cf. 1 João 3,2).
Vosso Reino

“Santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu”. Trata-se de três pedidos, sendo fundamental o segundo: “Venha a nós o Vosso Reino”. Este Reino vem quando “fazemos a Sua Vontade” e proclamamos, assim, a “santidade do Seu Nome”. A expressão “santificado seja o vosso Nome” aponta para a realização da mensagem do profeta Ezequiel: “Santificarei o meu grande nome” (36,23).

“Assim na Terra como no Céu”: “Céu” é o lugar onde, com a presença de Deus, seu Reino sempre está presente: e nós rezamos pedindo que céu e terra se unam, para que aconteça o Reino de Deus de maneira completa.


Seguem mais três pedidos que correspondem às necessidades do homem

“O Pão-Nosso de cada dia nos dai hoje”: é a necessidade material, mas com uma atitude de confiança e desapego, é a confiança em Deus, que “cuida dos pássaros do céu e dos lírios do campo e muito mais de nós” (cf. Mateus 6,26-30). E a necessidade também do desapego, pois procuramos o “pão”, do qual necessitamos apenas para hoje, sem uma exagerada preocupação para o dia de amanhã (cf. Mateus 6,34).

“Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”: é a necessidade espiritual. Trata-se de reconhecer humildemente nossos pecados. Mas o perdão, a misericórdia de Deus, manifesta-se somente se nós somos misericordiosos com o próximo: “como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.
Livrai-nos do mal

“E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”: é a necessidade da Igreja. Aponta, pois, para a tentação dos discípulos diante da Paixão de Jesus; e para a tentação da Igreja, no momento da perseguição. Uma tentação que a Igreja primitiva, época na qual Mateus escreve, conhecia muito bem.

A tentação continua, hoje, pois, como falou recentemente o Papa Francisco, “o envio em missão, por parte de Jesus, não garante aos discípulos o sucesso, assim como não os exime das falências nem dos sofrimentos. Eles devem ter em conta quer a possibilidade da rejeição, quer a da perseguição” (Reflexão na oração do Angelus de 25 de junho de 2017). Este é o “mal” futuro e possível.

Há também o “mal presente”, o espírito do mal que, neste momento, quer nos desviar de Deus. Eis por que muitos biblistas traduzem “livrai-nos do maligno”, em paralelismo com o que Jesus diz numa das parábolas: “vem o maligno e rouba o que foi semeado no coração dele” (Mateus 13,19).

Eis, pois, como é riquíssimo o conteúdo do “Papai nosso”. Vamos penetrar no coração dessa oração, sem a reduzir apenas às palavras vazias, como fazem os pagãos (cf. Mateus 6,7).
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07 outubro 2017

O que Paulo quis dizer com "deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo"?


O que Paulo quis dizer com "deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo"?
                              “Deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo” (Gl 5,16a)

Você, realmente, sabe o que é se deixar conduzir pelo Espírito Santo? Qual foi a verdadeira intenção do Apóstolo Paulo ao dar essa ordem? Muitos perdem a oportunidade de viver direcionados por Deus, por não entenderem essa máxima fundamental para o Cristianismo.

Para compreender essa ordem de se deixar conduzir pelo Espírito Santo, segundo o pensamento paulino em Gálatas, é necessário olhar para o contexto literário e histórico da carta. Em outras palavras, é importante compreender o que fez com que Paulo dissesse isso. Depois, aí sim, podemos atualizá-la em nossa vida.



Uma das intenções do apóstolo Paulo, na carta aos Gálatas, é responder a uma das questões mais relevantes para o cristianismo primitivo: os pagãos que se convertem à fé de que Jesus é o Cristo precisam viver, segundo alguns preceitos específicos, da lei judaica? Precisam seguir as prescrições alimentícias do judaísmo? Eles tem a obrigação de fazer a circuncisão? (cf. At 10,19-23; 15,1-21; Gl 2,1-10).

A resposta não era tão simples assim, pois estava como “pano de fundo” da discussão o fato de que os judeus, sobretudo os fariseus legalistas daquela época, tinham a ideia de que aqueles que vivessem segundo tais normas seriam justificados por Deus, alcançariam d’Ele a graça e, portanto, seriam de alguma maneira salvos (cf. Gl 2,16). Em contrapartida, aqueles que não as cumprissem seriam considerados pecadores, impuros e estariam condenados às maldições de toda ordem. Desse modo, a vivência da lei seria a causa da justificação.
Qual é o problema dessa concepção legalista?

Se é a lei que justifica o ser humano, então, de nada valeu a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo! (cf. Gl 3,13-14). Paulo entende a gravidade da questão e, diante da ameaça dos pregadores judaizantes e legalistas que estavam pregando aos gálatas, escreve parte da carta para mostrar que o que justifica é a graça de Deus, a qual, uma vez recebida pelo ser humano, deve ser vivenciada por meio de atitudes concretas (cf. Gl 2,4). Assim, o ser humano continua sendo dependente da graça de Cristo para a sua salvação e livre da tentação de querer salvar-se a si mesmo (cf. Gl 3,10-14).

É por essa razão que o apóstolo Paulo diz aos Gálatas que o cristão não deve viver como escravo da lei, mas sim pela fé vivida em Cristo (cf. Gl 3,23-29). Por que isso é importante? Porque o que deve garantir a vivência da santidade não é a imposição da lei, mas a ação do Espírito Santo no ser humano.

Com efeito, se alguém realiza o bem apenas porque a lei manda, então, o que motivou a ação pode ter sido, talvez, o medo da punição prevista na norma. Um exemplo pode ajudar na compreensão: imagine que uma pessoa esteja apontando uma arma engatilhada para sua cabeça e gritando para que você perdoe alguém que o magoou. Seu perdão seria verdadeiro? Muito provavelmente não! O que o teria conduzido, talvez, fosse o terror da morte. Essa é a dinâmica de quem está vivendo pela lei, segundo Paulo.
Ação do Espírito Santo

Assim, deixar-se conduzir pelo Espírito, dentro do contexto da Carta aos Gálatas, significa ser livre do jugo da lei e realizar a vontade de Deus como fruto da ação do Espírito Santo (cf. Gl 5,22-23). Trata-se de agir segundo a graça de Deus. Assim, se faço o bem, é porque sou cheio do Espírito Santo. Se perdoo, é porque sou cheio do Senhor. Se amo, é porque Cristo vive em mim! (cf. Gl 2,19-21). Quantas pessoas fazem o que Deus quer apenas por medo do inferno ou de qualquer outro castigo! Quantas pessoas vão à Santa Missa, só porque existe um mandamento! Talvez, você, meu querido leitor, tenha respondido essas perguntas, incluindo-se na resposta com um sonoro “eu”.

Diante disso, é preciso deixar-se conduzir pelo Espírito e não pelo medo, nem mesmo pela obrigação da lei. É preciso entender que “foi para a liberdade que Cristo nos libertou” (cf. Gl 5,1). Assim, se perdoo, se amo, se vou à Missa, se sou servo de Deus, é porque tudo isso é fruto da ação poderosa do Senhor na minha vida. É importante salientar ainda duas informações sobre o verdadeiro sentido da expressão “deixai-vos conduzir pelo Espírito Santo”. A primeira é que a melhor tradução do texto grego da Carta aos Gálatas (Gl 5,16a) é “andeis segundo o Espírito”, ou ainda, “andeis no Espírito”, já que o verbo é “paripateo”, literalmente, “andar” ou “caminhar”.

A relevância maior dessa informação está no fato de que este verbo, “paripateo” (andar), é utilizado várias vezes nos escritos paulinos. Trata-se, portanto, de uma utilização minuciosamente pensada (cf. 1Ts 2,12; 4,1.12; Gl 5,16; Rm 6,4; 8,4; 13,13; 14,15; 1Cor 3,3; 7,17; 2Cor 4,2; 5,7; 10,2.3; 12,18; Fl 3,17.18; Cl 1,10; 2,6; 3,7; 4,5).

Qual é o sentido mais profundo disso?

Este termo “andar” é utilizado na literatura secular a partir do século I a.C. para se referir à conduta ou modo de vida. No Novo Testamento, quando este vocábulo designa um modo de vida, ele é determinado por alguma qualificação, ou seja, ele está sempre acompanhado por alguma outra expressão (cf. Mc 7,5; At 21,21). Às vezes positiva, como é o caso em Jo 12,35; Rm 6,4; 13,13; 1Cor 7,17; 2Cor 5,7; 12,18; Gl 5,16; Ef 2,10; 5,2.8.15; Fl 3,17; Cl 1,10; 2,6; 4,5; 1Ts 2,12; 4,1.12; 1Jo 2,6; 4; 2Jo 6. Mas também negativa (cf. Jo 8,12; 12, 35; 1Jo 1,6; 2,11; 1Cor 3,3; 2Cor 4,2; 10,2; Ef 2,1-3; 4,17; Fl 3,18; 2Ts 3,6; 2Ts 3,11; Hb 13,9.

Tais qualificações evocam a ideia de uma oposição entre os dois modos de “andar” ou de “conduzir” a vida. Diante disso, o modo de vida do cristão é “andar segundo o Espírito”, é deixar-se conduzir por Ele. É também, como vimos antes, ser livre no amor e na graça, praticando as obras do Espírito.

Por fim, a segunda informação importante é que ser livre da escravidão da lei, segundo o pensamento paulino, não é fazer tudo o que se quer. Em outras palavras, não é libertinagem! É ser livre em Deus, para viver n’Ele e por Ele.

Desse modo, deixe-se conduzir pelo Espírito, ande segundo Ele, seja livre para amar por gratuidade e graça. Seja livre sendo escravo do Espírito Santo de Deus!
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05 outubro 2017

A importância da Missa aos domingo


                 A importância da Missa aos domingo

Saiba qual a importância da Santa Missa aos domingos na experiência de fé de todos os católicos


A participação da Santa Missa, aos domingos, é um compromisso de particular importância em nossa experiência de fé. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que a celebração da Eucaristia dominical, do Dia do Senhor, está no coração da vida da Igreja. “O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito”1.




No entanto, antes de ser uma obrigação para nós, católicos, a participação da Santa Missa aos domingos é uma exigência que está inscrita na essência da vida cristã. Por isso, na Igreja nascente, não havia o preceito dominical, já que os fiéis tinham a assembleia dominical como o ponto mais alto e importante da vida espiritual.
A Santa Missa nos primórdios da Igreja Católica

A celebração da Santa Missa aos domingo remonta aos princípios da era apostólica da Igreja (cf. At 2,42-46; 1 Cor 11,17). Nesse sentido, a Carta aos Hebreus nos ajuda a compreender a importância da Eucaristia dominical já naquele tempo: “Sem abandonarmos a nossa assembleia, como é costume de alguns, mas nos exortando mutuamente” (Hb 10,25).

A Tradição da Igreja nos ajuda a guardar a memória de uma exortação que permanece sempre atual: “Vir cedo à igreja, aproximar-se do Senhor e confessar os próprios pecados, arrepender-se deles na oração […], assistir à santa e divina liturgia, acabar a sua oração e não sair antes da despedida […]. Muitas vezes, o temos dito: este dia é vos dado para a oração e o descanso. É o dia que o Senhor fez: nele exultemos e cantemos de alegria”2.

São Justino, mártir do século II, na sua primeira Apologia, dirigida ao imperador Antonino e ao Senado, descreveu com ufania o costume dos primeiros cristãos de reunir-se na assembleia dominical, que congregava, no mesmo lugar, os cristãos das cidades e das aldeias. “Quando, durante a perseguição de Diocleciano, viram as suas assembleias interditas com a máxima severidade, foram muitos os corajosos que desafiaram o édito imperial, preferindo a morte a faltar à Eucaristia dominical”3.

Isso aconteceu com os mártires de Abitinas, na África proconsular, que assim responderam aos seus acusadores: “Foi sem qualquer temor que celebramos a ceia do Senhor, porque não se pode deixá-la, é a nossa lei”; “não podemos viver sem a ceia do Senhor”. Com coragem extraordinária, uma das mártires confessou: “Sim, fui à assembleia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã”4.
A assembleia reunida

Segundo São João Crisóstomo, há algo a mais que a assembleia reunida nos proporciona: “Podes também rezar em tua casa; mas não podes rezar aí como na igreja, onde muitos se reúnem, onde o grito é lançado a Deus de um só coração. […] Há lá qualquer coisa mais: a união dos espíritos, a harmonia das almas, o laço da caridade, as orações dos sacerdotes”5.

Essa obrigação de consciência, que tem sua razão der ser na necessidade interior que os cristãos dos primeiros séculos sentiam tão intensamente, a Igreja Católica nunca deixou de afirmar, embora, no início, não julgou ser necessário prescrevê-la.

Mas, com o tempo, devido à tibieza ou à negligência de alguns, a Igreja teve de explicitar aos fiéis o dever da participação na Missa aos domingos. Na maior parte das vezes, fez isso sob a forma de exortação, mas, às vezes, também recorreu a disposições canônicas concretas.

A obrigação da participação da Santa Missa aos domingos

O primeiro e o mais importante mandamento da Igreja determina que somos obrigados a participar da Santa Missa aos domingos e nas solenidades de preceito: “No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na Missa”6. Cumprimos esse preceito se participarmos da Santa Missa celebrada em rito católico, no próprio dia festivo ou na tarde do dia anterior.

A Santa Missa, aos domingos, fundamenta e confirma toda a prática cristã. Por isso, temos a obrigação de participar da Santa Missa nos dias de preceito, especialmente no domingo, a menos que estejamos justificados por algum motivo sério como, por exemplo, doença, obrigação de cuidar de crianças de peito ou sejamos dispensados pelo nosso pároco ou responsável. Se deliberadamente faltamos a essa obrigação, cometemos um pecado grave.

“A participação na celebração comum da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e fidelidade a Cristo e à sua Igreja”7. Ao participarmos da Missa dominical, atestamos a nossa comunhão na fé e na caridade; damos testemunho da santidade de Deus e da nossa esperança na salvação; e reconfortamo-nos mutuamente, sob a ação do Espírito Santo.

A paróquia é o lugar onde nós, que somos católicos, podemos nos reunir para a Santa Missa, principalmente para a celebração dominical da Eucaristia. A paróquia nos inicia na expressão ordinária da vida litúrgica e nos reúne nessa santa celebração. Além disso, a paróquia nos ensina a doutrina salvífica de Cristo e pratica a caridade do Senhor em obras boas e fraternas.
A Eucaristia dominical como exigência da vida cristã

Caso não seja possível a participação da Santa Missa aos domingos, o Código de Direito Canônico faz algumas recomendações:

“Se for impossível a participação, na Celebração Eucarística, por falta de ministro sagrado ou por outra causa grave, recomenda-se muito que os fiéis tomem parte na liturgia da Palavra, se a houver na igreja paroquial ou noutro lugar sagrado, celebrada segundo as prescrições do bispo diocesano, ou consagrem um tempo conveniente à oração pessoal ou em família ou em grupos de famílias, conforme a oportunidade”8.

Verdadeiramente, grande é a riqueza espiritual e pastoral do domingo, tal como a Sagrada Tradição nos confiou. Vista na totalidade dos seus significados e implicações, o domingo constitui, de certo modo, uma síntese da vida cristã e uma condição necessária para bem vivê-la.

Por isso, compreendemos por que razão a Igreja tem como particularmente importante a observância do Dia do Senhor, tanto que a tornou uma obrigação no âmbito da disciplina eclesiástica. No entanto, essa observância, antes de ser um preceito, deve ser vista como uma exigência inscrita profundamente em nossas almas.

É de importância verdadeiramente capital que nos convençamos de que não podemos viver a nossa fé, a plena participação da vida da comunidade cristã, sem tomar parte regularmente na assembleia eucarística dominical.
A plenitude da Missa aos domingos

Na Eucaristia, realiza-se a plenitude de culto que os homens devem a Deus, incomparável com qualquer outra experiência religiosa.

Uma expressão particularmente eficaz dessa plenitude verifica-se precisamente quando, no domingo, toda a comunidade congrega-se, em obediência à voz do Ressuscitado.

Ele a convoca para lhe dar a luz da sua Palavra e o alimento do seu Corpo, como fonte sacramental perene de redenção. A graça, que dimana dessa fonte, renova a nossa vida, a nossa história.

O Espírito Santo está presente, ininterruptamente, em cada dia da Igreja, irrompendo, imprevisível e generoso, com a riqueza dos seus dons. Entretanto, na assembleia dominical reunida para a celebração semanal da Páscoa, a Igreja Católica coloca-se especialmente à escuta d’Ele e com Ele tende para nosso Senhor Jesus Cristo, no desejo ardente do Seu regresso glorioso: “O Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem!’” (Ap 22, 17).
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03 outubro 2017

Você sabe qual é o valor da Palavra de Deus para a Igreja?


   Você sabe qual é o valor da Palavra de Deus para a Igreja?

                      “A Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14)

A Igreja, de alguma forma, é expressão da Palavra de Deus. Temos Igreja, porque a Palavra do Senhor veio até nós e falou-nos, disse-se inteira para nós, e foi acolhida. Somos filhos e filhas da Palavra – tornamo-nos o que escutamos! Ela nos dá o conselho e a luz, o consolo e a esperança. Todos os dias, ela precisa estar em nossas mãos, ser olhada e cair em nosso coração, vestir nosso corpo, calçar nossos pés e ungir nossas mãos. Assim, nossos comportamentos e nossa vida serão expressão da Palavra de Deus. Precisamos nos voltar à Palavra, a fim de acolhê-la e obedecer-lhe, amá-la e vivê-la, procurá-la, guardá-la e anunciá-la. Mais: ‘só quem se coloca, primeiro, à escuta da Palavra, é que pode depois tornar-se seu anunciador’ (VD 51). Como diz nosso Papa Francisco, lidemos com a Palavra de Deus, assim como lidamos com nosso celular.


Só é possível compreender vivendo

O povo de Deus que nasceu da Páscoa, isto é, a comunidade que, pela fé, entrou em aliança de amor com seu Deus, é chamado a expressar, mediante a obediência à Palavra do Senhor, a fidelidade à aliança estabelecida. Sua vocação será ouvir a Palavra e observá-la, escutá-la, segui-la e cumprir a vontade do Senhor. Nós, Igreja, povo de Deus, precisamos aprender que a obediência à Palavra vale mais do que sacrifícios e holocaustos (Is 15,22). E tenhamos como certo: só é possível compreender a Escritura vivendo-a.

Existe uma relação, clara e ao mesmo tempo misteriosa, entre Igreja e Palavra de Deus, entre a vida do povo e a obediência à Palavra, entre força da fé e apego à Sagrada Escritura, entre discernimento da vontade de Deus e meditação assídua da Sua Palavra. Compreendemos que não pode existir povo de Deus, não pode existir Igreja, sem Palavra de Deus. Não pode existir liberdade sem obediência à Palavra. Não pode existir festa sem fidelidade à aliança estabelecida com Deus. Compreendemos também que não pode surgir uma comunidade, como família unida em Cristo, que seja viva e operante, sem que a Palavra ocupe um lugar importante na vida dos irmãos e irmãs.

Acolher a Palavra é acolher o próprio Deus

Tampouco, não nos passa despercebido que existe uma relação íntima, estreita e profunda, entre abandono da Palavra de Deus e a deterioração da fé, entre desinteresse pela Palavra e quebra das relações fraternas. Mais: creio que a atual decadência da experiência cristã em amplos setores de nossa sociedade tem a ver com o desprezo da vontade de Deus. Obedece-se pouco ao que Deus diz. O que Ele diz não importa hoje. Eis o mundo que temos!

Na Palavra, o Senhor se revela e entrega-se a nós. Com a Palavra, Ele nos ilumina e transforma; pela Palavra, liberta-nos e guia, interpela-nos e nos acusa, admoesta, consola e salva. Somos um povo que crê num Deus que fala e se revela. Somos uma Igreja que vive à escuta da Palavra e faz o que Ela diz. A Palavra de Deus é nossa mesa da saúde. Para o povo de Deus, acolher a Palavra é acolher o próprio Deus; e acolher Deus é acolher a vida. Para o povo, a Palavra é a fonte da vida. Somos Igreja fundada na Palavra, que é o próprio Senhor. Assim, nossa missão e vocação, como Igreja, é presentear Deus hospedado em nós.
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01 outubro 2017

1 de outubro , Dia de Santa Terezinha



               1 de outubro , Dia de Santa Terezinha

Teresa Martin nasceu em Alençon, França, em 02 de janeiro de 1873. Dois dias mais tarde foi batizada na Igreja de Notrê-Dame, recebendo os nomes de Maria Francisca Teresa. Seus pais foram Luis Martin e Celia Guérin, ambos veneráveis na atualidade. Após a morte de sua mãe, em 28 de agosto de 1887, Teresa mudou-se com toda a sua família para Lisieux.



No final de 1879 recebeu pela primeira vez o sacramento da penitência. No dia de Pentecostes de 1883, recebeu a graça especial de ser curada de uma grave enfermidade pela intercessão de Nossa Senhora das vitórias ( A Virgem do Sorriso). Educada pelas Beneditinas de Lisieux , recebeu a primeira comunhão no dia 08 de maio de 1884, depois de uma intensa preparação, culminada por uma forte experiência da graça da íntima comunhão com Cristo. Algumas semanas mais tarde, em 14 de junho do mesmo ano, recebeu a Confirmação, com plena consciência de acolher o Espírito Santo mediante uma participação pessoal na graça de Pentecostes.



Seu desejo era abraçar a vida contemplativa, igual a suas irmãs Paulina e Maria, no Carmelo de Lisieux, porém sua tenra idade a impedia. Durante uma viagem a Itália, depois de visitar a Santa Casa de Loreto e os lugares da Cidade Eterna, em 20 de novembro de 1887, na audiência concedida pelo Papa Leão XII aos peregrinos da diocese de Lisieux, pediu ao Papa, com audácia filial, autorização para poder entrar no Carmelo aos 15 anos.

Em 09 de abril de 1888 ingressou no Carmelo de Lisieux. Recebeu o hábito em 10 de janeiro do ano seguinte e fez sua profissão religiosa em 08 de setembro de 1890, festa da Natividade da Virgem Maria.

No Carmelo começou o caminho da perfeição traçado pela Madre Fundadora, Teresa de Jesus, com autêntico fervor e fidelidade, cumprindo os diferentes ofícios que lhe foram confiados (foi também mestra de noviças).

Iluminada pela palavra de Deus, e provada especialmente pela enfermidade de seu querido pai, Luis Martin, que faleceu em 29 de julho de 1894, iniciou o caminho para a santidade, inspirada na leitura do Evangelho e pondo o amor no centro de tudo. Teresa nos deixou em seus manuscritos autobiográficos não só as lembranças de sua infância e adolescência, mas também o retrato de sua alma e a descrição de suas experiências mais íntimas. Descreve e comunica a suas noviças, confiadas aos seus cuidados, o caminho da infância espiritual; recebe como dom especial a tarefa de acompanhar com a oração e sacrifício os irmãos missionários ( o Padre Roulland, missionário na China, e o Padre Belliére). Aprofunda-se cada vez mais no mistério da Igreja e sente crescer sua vocação apostólica e missionária para levar consigo os demais, movida pelo amor de Cristo, seu único Esposo.

Em 09 de junho de 1895, na festa da Santíssima Trindade, ofereceu-se como vítima imolada ao Amor misericordioso de Deus. Nesta época escreve o primeiro manuscrito autobiográfico que entregou a Madre Inês no dia de seu onomástico, em 21 de janeiro de 1896.

Alguns meses mais tarde, em 03 de abril, durante a noite de quinta para sexta-feira santa, teve uma hemoptise, primeira manifestação da enfermidade que a levaria a morte, e ela a acolheu como uma misteriosa visita do Esposo Divino. Então, entrou em uma prova de fé que duraria até o final de usa vida, e dela oferece um testemunho emotivo em seus escritos. Durante o mês de setembro conclui o manuscrito B, que ilustra de maneira impressionante o grau de santidade ao qual havia chegado, especialmente pela descoberta de sua vocação no coração da Igreja.

Enquanto piora sua saúde e continua o tempo de prova, no mês de junho começa o manuscrito C, dedicado a Madre Maria de Gonzaga; entretanto, novas graças a levam a amadurecer plenamente na perfeição e descobre novas luzes para a difusão da mensagem na Igreja, para o bem das almas que seguirão seu caminho. Em 08 de junho é transferida para a enfermaria, onde outras religiosas recolhem suas palavras quando suas dores e provações se tornam mais intensas e enquanto suporta com paciência até a chegada de sua morte, acontecida na tarde de 30 de setembro de 1897. ‘Eu não morro, entro na vida’, havia escrito a seu irmão espiritual, o missionário P. Mauricio Belliére. Seus últimas palavras, ‘Deus meu, te amo’ , selaram uma vida que se extinguiu da terra aos 24 anos, para entrar, segundo seu desejo, em uma nova fase de presença apostólica em favor das almas, da comunhão dos Santos, para derramar uma ‘chuva de rosas’ sobre o mundo (chuva de favores e benefícios, especialmente para amar mais a Deus).

Foi canonizada por Pio XI em 17 de maio de 1925, o mesmo Papa em 14 de dezembro de 1927, a proclamou Padroeira Universal das Missões, junto com São Francisco Xavier.

Sua doutrina e seu exemplo de santidade tem sido recebidos com grande entusiasmo por todas as categorias de fiéis deste século, e também além da Igreja Católica e do Cristianismo.

Por ocasião do Centenário de sua morte, o Papa João Paulo II a declarou Doutora da Igreja, pela solidez de sua sabedoria espiritual inspirada no Evangelho, pela originalidade de suas intuições teológicas, nas quais resplandece sua eminente doutrina , e pela acolhida em todo o mundo de sua mensagem espiritual, difundida através da tradução de suas obras em mais de cinqüenta línguas diversas. A cerimônia da Declaração ocorreu em 19 de outubro de 1997, precisamente no Domingo em que se celebra o Dia Mundial das Missões.

Santa Terezinha, rogai por nos.
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29 setembro 2017

Como fazer dos obstáculos uma oportunidade?



           Como fazer dos obstáculos uma oportunidade?

A grandeza de Deus é transformar o mal em um bem maior. Então, como fazer dos obstáculos uma oportunidade?



Sem dúvida, a virtude de uma pessoa madura e feliz é a capacidade que ela tem de superar os obstáculos. Isso simplesmente porque a vida é cheia deles, não só pelos desafios que existem, mas também por causa dos fracassos, dos desastres, das fatalidades e doenças que percorrem nossa vida. Grandes homens e mulheres da história tornaram-se notáveis após superar desastres na vida. Tantas vezes, é exatamente em razão desses obstáculos é que tantas vezes surgiram os grandes homens da história. Uma dificuldade, quando vivida sob as virtudes humanas, tem a força de fazer emergir o que existe de mais nobre em uma pessoa. O inverso também é verdadeiro. Se as dificuldades nos lançarem nos vícios e nos rancores, descobriremos as piores feras que existem em nós.





Na ótica cristã, essa verdade tem um significado ainda maior. Deus vence o mal não o destruindo simplesmente, aniquilando sua existência. A grandeza do Senhor é transformar o mal em um bem maior. O ápice de Sua vitória é a cruz; nela o mal é derrotado. Mas como Deus faz isso? Esse “como” é que confunde os homens. São Paulo nos diz: “Escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (cf. 1Cor 1,23). Na cruz, todo ódio é respondido com amor infinito. A morte, que era o fim da vida, passa a ser o começo da eternidade. A cruz, que era sinal de horrores, agora é símbolo da salvação. O pecado que condenava, agora conhece a misericórdia, de tal forma que Santo Agostinho pôde dizer: “Bendito pecado que mereceu tamanha misericórdia!”.


Nós deveríamos aprender a viver essa dinâmica de salvação em nossas dificuldades. Aliás, a salvação não é somente para a eternidade, ela é graça que transforma todo mal em nossa vida em um bem maior. A salvação é agora! Temos de aprender essa dinâmica de Deus. Isso é sabedoria! Para viver assim não basta crer em Jesus, é preciso buscar Sua sabedoria. Acredito que é nesse sentido que exortava São Tiago sobre a fé sem obras, quando lemos em sua carta no capítulo 2,19: “Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios creem e tremem”. A obra da fé é nossa salvação vivida de forma real.


Qual é essa dinâmica da salvação em meio às dificuldades da vida?

Começa por crer e confiar em Deus. “Quem crê será salvo, mas quem não crê já está condenado”. Quem não crê e não confia em Jesus não pode receber Suas graças e tesouros.


É preciso uma conformação à Palavra de Deus, porque é por meio dela que aprendemos a sabedoria divina. Com ela aprendemos a olhar o mundo, a refletir sobre a vida e reagir diante dos acontecimentos segundo o coração do Pai.


Temos de agir concretamente e, diante de cada situação, encontrar a resposta correta. Essa resposta sempre passará pelo amor de Deus e pela obediência a Ele. Mas o que é amar e obedecer a Deus em cada situação? Em uma hora, pode significar mansidão e paciência; em outra, firmeza e ação. Essa resposta está na sabedoria que o Espírito Santo nos dá, especialmente na intimidade com a Palavra de Deus. Mas a resposta sempre será bondade e louvor a Ele. Onde existem a bondade do amor e o louvor da obediência ali está o Senhor. Uma pista para esse discernimento é perguntar para Deus: “Para que me serve essa dificuldade?”. Atenção, isso é diferente de perguntar o “porquê”, no sentido de lamuriar os acontecimentos. No “para que” se busca o sentido de cada coisa.


Por fim é preciso viver tudo sob a virtude da esperança. “A paciência prova a fidelidade e a fidelidade comprovada produz a esperança. E a esperança não engana” (Rm 5,4-5). Quem espera em Deus nunca será enganado. Esperar no Senhor é viver desejando que a vontade d’Ele governe todas as coisas. Espera em Deus quem ama a Sua vontade. Isso é diferente das expectativas que criamos, achando que Ele vai agir segundo nossas vontades. Quando vivemos sob a esperança divina, nos lançamos nos braços do Senhor na certeza que Ele tem para nós os melhores bens. “Coisas que os olhos não viram nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).


Termino essa reflexão com um verdadeiro poema de quem soube superar inúmeros obstáculos firmado no amor de Deus:


“Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? Realmente está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro. Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou” (Rm 8, 31. 35-37).

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27 setembro 2017

Como ajudar um depressivo



                         Como ajudar um depressivo

               Como saber se alguém próximo a você está deprimido e como o ajudar?


Quem sofre de depressão tem 52% mais risco de morrer precocemente em relação a alguém que não apresenta a doença, indica uma análise feita – em 293 estudos sobre o tema – por cientistas da Holanda e China, publicada no American Journal of Psychiatry.


L’Wren Scott, estilista e modelo americana, os atores Fausto Fanti, do “Hermes e Renato”, e Robin Williams tiraram a própria vida. De acordo com a imprensa, as mortes teriam sido resultado de depressão. Por fora, ela parece apenas uma tristeza normal, mas é uma doença extrema. Os sintomas duram mais tempo do que os encontrados em quem sente tristeza e a rotina fica difícil de ser seguida.





Mas como saber se alguém próximo a você está deprimido? E como o ajudar?


Se perceber alguma mudança grande de comportamento na pessoa, converse com ela, pergunte-lhe como andam as coisas e mostre sua preocupação e carinho com o bem-estar dela. Ela pode desabafar. Mas tenha cuidado com o que você vai dizer a ela. O melhor é ouvir a pessoa e não tentar lhe dar conselhos nem tentar “consertá-la”. Se ela estiver deprimida, isso não vai ajudar.


O mais importante é demonstrar a ela que você está disponível para o que der e vier. Entre em contato com frequência com ela e não a force a admitir a depressão. Também não se sinta culpado de estar causando isso a quem você ama. Tente fazer com que a pessoa procure se informar sobre essa doença para que ela entenda que não deve sentir vergonha ou achar que isso é uma fraqueza. Ajude-a também a buscar um profissional como um psicólogo ou um médico psiquiatra. É muito importante dialogar com um psicanalista.


O pai da psicanálise, Dr. Sigmund Freud, disse: “O que se precisa para ser feliz? Trabalho e amor”. É preciso ter objetivos, focar num trabalho, colocar a fé em ação, amar com todo o poder da alma e deixar as surpresas acontecerem. E ter otimismo na vida e novidades maravilhosas nas coisas esperadas.


Unir a ciência psiquiátrica à espiritualidade é obter resultados cheios de curas e felicidades abissais. Devemos ajudar as pessoas a conhecerem o sentido real da vida e a saciarem a sede do prazer em práticas curativas e em progressos atos de amor.

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25 setembro 2017

Deus realiza um milagre na nossa vida



                    Deus realiza um milagre na nossa vida

    Deus nos ensina que podemos tocar no milagre, mas precisamos acreditar e confiar n’Ele


Amados irmão e irmã, a Palavra do Senhor é bem clara, não tenho nenhuma dúvida: podemos tocar no milagre e ver a graça de Deus acontecer na nossa vida a partir dessa Palavra que está em Ezequiel 34,15-16: “Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor Deus. A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo”.





Nós encontramos aqui verdades que nos fazem entender, compreender e tocar no milagre do Senhor, para nos tornarmos homens e mulheres novos, capazes de tocar no sobrenatural e ver a graça realizada.


Deus fala para cada um de nós: “Vou procurar a ovelha que estava perdida”. Deixemo-nos encontrar pelo Senhor, não fujamos nem nos escondamos, porque Deus quer encontrar cada um dos Seus filhos.


Se estávamos desgarrados em uma falsa doutrina, deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo e voltemos para perto de Deus. O Senhor deseja curar nossas feridas. Ele está disposto a curar cada um de nós, mas é preciso que acreditemos n’Ele. O Senhor não impõe limites, Ele determina uma graça para nós.
A Bíblia traz os milagres


Nós vemos muitos relatos na Bíblia. Um exemplo é quando Jesus vai falar para Marta e Maria: “Se creres, verás a glória de Deus”. O livro de Hebreus, por várias vezes, vai dizer para nós que é pela fé que os homens e as mulheres acreditaram no Senhor. Também foi acreditando n’Ele que a sogra de Pedro foi curada. Foi acreditando no Senhor que a filha de Jairo, Talita cum, voltou à vida.


Em Marcos 9,23, lemos: “E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”. O pai pede a Jesus: “Se tu podes, cure meu filho”. O Senhor lhe diz que “tudo é possível para aquele que crê”. Imediatamente, o pai do menino diz: “Senhor, eu creio!”; e o seu filho foi curado imediatamente de toda aquela opressão dos demônios que o atormentavam.


Acredite no milagre


Para que os milagres aconteçam, é preciso que acreditemos em Deus. É preciso crer que Ele procura a ovelha perdida. Caso se encontre perdido, tenha fé, porque o Senhor procura por você e o reconduz.


Se, por um motivo ou outro, você foi para uma doutrina falsa ou algum caminho distante de Jesus, deixe que Ele o conduza. Volte a acreditar n’Ele. Invoque o nome de Jesus e peça a cura sobre sua vida. Se você está ferido, saiba que o Senhor pode curá-lo.


Para tocar no impossível e ter um milagre realizado, viva uma vida de oração, de intimidade com Jesus, confesse-se frequentemente, não falte à Missa, reze o Santo Terço e faça a sua lexie divina.


Peço as bênçãos de Deus, a fim de que Ele o cure. Ordeno que toda doença física, toda opressão espiritual que estava sobre você e a sua vida saia agora, em nome de Jesus, e que você seja curado e libertado.


Retome a sua fé, porque o Senhor vai curá-lo. Lembre também o que fala o profeta Jeremias: “Tu és uma mansão de salvação. Tu és uma montanha santa”. O Espírito de Deus habita em você e lhe concede a cura e o milagre.
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23 setembro 2017

Será que os santos atendem nossas orações?



                 Será que os santos atendem nossas orações? 

                                      Reflita: só Deus pode atender as nossas orações


Em fevereiro, a Igreja celebra São Brás. Para continuarmos as reflexões sobre a oração, eu o questiono: Por que oramos aos santos? Essa oração tem eficácia? Nossos pedidos são atendidos por eles? Se os santos foram homens ou mulheres como nós, quais “poderes” eles teriam para atender nossa súplica? Se podemos pedir diretamente para Deus, por que “gastar tempo” pedindo para alguém que não seja Ele?


Mais uma vez, quem nos ajuda nessa reflexão é São Tomás de Aquino, por meio da Suma Teológica escrita por ele, para trazer à luz questões sobre a natureza de Deus, a natureza de Jesus e também algumas questões morais.






Reflexão de São Tomás de Aquino


Para esses questionamentos, São Tomás é muito claro em nos apontar a resposta: “De dois modos fazemos oração a alguém: para que esse mesmo a defira ou para que obtenha de outrem o que queremos”. Ou seja, no primeiro caso, o único que pode aceitar, conceder o que você pede é Deus. Portanto, é conveniente que você ore ao Senhor, pois é Ele e somente Ele quem vai deferir o seu pedido. É Ele quem tem todos os poderes (por ser Deus, onipotente) para conceder-lhe o que você pede.


São Tomás vai além ao dizer que podemos pedir a alguém que interceda junto Àquele que pode nos conceder. Fazendo uma comparação simples, muitas vezes, quando éramos crianças e queríamos receber alguma coisa que somente o pai podia nos dar, íamos até nossas mães. Por mais que elas não pudessem dar o que estávamos pedindo, sabíamos que elas intercederiam por nós junto a nossos pais. Ou ainda, dentro de uma empresa hierárquica, você deve falar primeiramente com o seu chefe imediato para solicitar alguma coisa. Por mais que ele não possa lhe conceder, é ele quem pode falar com a diretoria para conseguir o que você quer. Você, humildemente, apresenta o seu pedido ao seu chefe, que o leva adiante e pede à diretoria em seu nome.
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21 setembro 2017

Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?


Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?

A espiritualidade precisar ser um exercício diário de fé e reconhecimento da presença de Jesus

Cultivar a espiritualidade ainda não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Pouco se compreende que esse exercício é um pilar determinante na sustentação da interioridade e de uma qualificada participação na vida social. Por isso, muitas dinâmicas estão comprometidas. Ilusoriamente, pensa-se – talvez por forças de secularismos, excesso de racionalizações ou imediatismos – que a espiritualidade é opcional, mais apropriada para alguns mais devotos. Na verdade, a espiritualidade é indispensável para sustentar a vida de todos em parâmetros qualificados. Assim, um permanente desafio é estar em sintonia com o que diz o salmista nas Sagradas Escrituras: “Desde a minha concepção me conduzistes, e no seio maternal me agasalhastes. Desde quando vim à luz vos fui entregue, desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus”.

A humanidade, mesmo emoldurada por diferentes manifestações confessionais e religiosas, não prioriza o hábito de cultivar a espiritualidade. As consequências são o comprometimento da vida, com equívocos nos critérios que regem discernimentos e escolhas, a prevalência da mediocridade na emissão de juízos e nas iniciativas que deveriam corresponder à dignidade própria do ser humano, na sua inteireza. A cultura da dimensão espiritual no cotidiano significa reconhecer a presença de Deus no lugar que Lhe é próprio, conforme ensina o salmista, em oração: “Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo. Vosso louvor transborda nos meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças. Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor”.


O exercício da espiritualidade

O lado espiritual não é apenas uma parte da existência. Trata-se de alicerce para a vida, cultivado pelo desenvolvimento da competência de se contemplar, isto é, tornar-se capaz de mergulhar no sentido mais profundo de cada ser, de cada criatura, superando superficialidades. E a oração é, por excelência, a experiência do exercício da espiritualidade. Causa empobrecimento considerar a oração como um recurso de poucos, para momentos passageiros de aflições maiores. As preces possibilitam o enraizamento de si mesmo na verdade e na fonte do amor que é Deus. Tertuliano, reconhecido escritor dos primeiros anos da era cristã, destaca a força da oração, ao comentar: “nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome. Agora, a oração cristã não faz descer o orvalho sobre as chamas, ou fechar a boca de leões, nem impede o sofrimento. Mas, certamente vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, acalma tempestades, detém ladrões, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam e confirma os que estão de pé”.

A oração possibilita ao humano experimentar o deserto de seu próprio ser. Leva-o a reconhecer sua condição solitária e pobre, para explicitar sua dependência de Deus. O lado espiritual de cada pessoa é que lhe permite assumir e conquistar a humanidade verdadeira e integral. Na espiritualidade, cultiva-se o silêncio que faz da própria vida um ouvir determinante, gera-se a competência para o diálogo que promove a cultura do encontro e quebra, com propriedade, a rigidez da mesquinhez. A experiência espiritual qualificada é que nos permite cultivar e aproveitar os nossos dons, edificando a unidade interior básica, que permite a inteireza moral e existencial. Quando se compromete essa unidade, a conduta pessoal sofre com reflexos negativos. E o caminho da espiritualidade, que possibilita uma condição humana qualificada, não pode ser trilhado apenas com a própria força, nem mesmo unicamente com a luz da razão. Trata-se de percurso impulsionado pelo Espírito Santo, que está presente em cada um dos que cultivam a abertura para receber seus dons.

A humanidade carrega um fardo pesado por não compreender a importância de cultivar a espiritualidade. Por isso, o cidadão contemporâneo fica moralmente enfraquecido gerando os descompassos que degradam o mundo. Assim, o investimento para transformar a realidade exige, de cada um, cultivar o lado espiritual. Eis o caminho que é fonte de soluções para os muitos problemas enfrentados pela humanidade.
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